Estresse: na perspectiva do mundo Pós-moderno

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                                                      Estresse: na perspectiva do mundo pós-moderno.

  O ser humano sempre teve que assegurar sua própria sobrevivência, lutando ou fugindo dos perigos iminentes. Nos primórdios da humanidade o ser humano lutava contra os predadores e os perigos provocados por eventos da natureza: tempestades, furacões, e outros acontecimentos imprevistos.  Na vida moderna nossa sobrevivência continua sendo uma luta diária.

 O mundo muda ao longo dos séculos, embora semelhantes, as causas do estresse continuam as mesmas, persistindo como condição de enfrentamento intrínseco e natural da humanidade. O bombardeio de informações, a violência urbana, as drogas, as desigualdades sociais, as doenças, os conflitos, as guerras, tudo leva ao universo do estresse. Até bem pouco tempo, a humanidade vivia sem o recurso do fax, do telefone celular, do computador, da internet. De repente, o homem se dá conta das transformações ocorridas e se surpreende a cada dia, tendo que se adaptar às novas condições de vida. Há uma maior exigência interna e externa para a adaptação do ser humano às condições da vida atual.

A necessidade de conseguir mais dinheiro, atingir níveis de conforto e status social elevado, conquistar e manter-se num bom emprego, prover a família com bens materiais estimulado pela mídia, competir por melhores oportunidades profissionais, viver a maior parte do dia no trabalho e longe da família, alimentar-se de forma irregular e desequilibrada são apenas alguns fatores que certamente colaboram para o estresse no mundo contemporâneo.

A evolução tecnológica e científica mudou também o estilo de vida do homem moderno, impondo-lhe novas atitudes e comportamentos. Difícil é saber até que ponto e, em que sentido esta evolução contribuiu para melhorar ou piorar a qualidade de vida do homem na terra, embora se cogite que, dificuldades ou aspectos negativos possam ocorrer por conta da forma como o homem se utiliza destas conquistas.

De outra perspectiva, sem nenhum pessimismo, mas numa visão crítica, sabe-se que o crescimento econômico, alicerçado no consumismo e na competição desenfreada gerou muitas frustrações, fracassos, mal-estar social, vazio existencial, enquanto o sofrimento humano gerou na pós-modernidade novas formas de patologias psíquicas de âmbito mundial; a Anorexia Nervosa, a Bulimia, as Fobias, o Pânico, Alzheimer, só para citar algumas. A compulsão por compras, por exemplo, tornou-se uma forma de completude entre a ameaça do esvaziamento interior, a falta de sentido de vida, a angústia, a depressão, enquanto a competição gerou insegurança, medos, fobias, dependências, alcoolismo.

A sobrecarga de agentes estressores pode ser considerada importante fator para o mal-estar da civilização moderna. Essa sobrecarga é um estado no qual as exigências do ambiente excedem às nossas capacidades de adaptação. Acresce-se ainda, a urgência de tempo para execução de tarefas, responsabilidades e preocupações excessivas além dos problemas do dia-a-dia, também assoberbados pela vida moderna. Estes últimos, relacionados à falta de segurança e estabilidade, com repercussão nas relações familiares, educação dos filhos (preocupação com violência e drogas) e a falta de descanso e lazer. A falta de estímulo, o sentimento de inutilidade, a falta de sentido de vida, a solidão, o isolamento, a rotina, também podem resultar em estresse.

O estresse não se manifesta com a mesma intensidade para todas as pessoas, ele se instala com manifestações que podem variar de leves, moderadas ou intensas, dependendo do tipo, intensidade, freqüência da exposição ao fator estressante e das diferenças individuais.

Para que um evento se torne estressante é necessário que o mesmo, seja percebido como tal. Assim, o modo de ser de uma pessoa, seu estilo de vida, suas crenças e valores, seus hábitos, sua personalidade, interferem na eclosão e intensidade do estresse.

Dependendo da intensidade, o estresse pode causar grande sofrimento e provocar desgaste físico e mental, deterioração e envelhecimento precoce, interferir na imunidade do organismo predispondo-o a doenças ou agravando condições de enfermidades já instaladas.

Perturbações psicossomáticas, desencadeadas nestas condições como, enxaqueca, fibromialgia, hipertensão essencial, úlcera duodenal, obesidade, artrite reumatóide, doença coronariana, e outros sintomas como: diarréia, taquicardia, falta de ar, cansaço, insônia, dificuldades de concentração, dificuldades sexuais, podem ser consideradas como produtos deste fantasma do mundo moderno, quando avaliações médicas criteriosas e exames clínicos, não forem suficientes para determinar sua etiologia.

                          Profa. Dra. Edna Paciência Vietta

                                      Psicóloga Clínica

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O corpo concretiza a existência do indivíduo

Psicóloga – Ribeirão Preto – Terapia Cognitivo-comportamenal
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O corpo concretiza a existência do indivíduo

“Na fronteira entre o eu e o mundo, o corpo é linguagem e comunicação” (CASTILHO, 2001).

A partir do corpo, nos percebemos e somos percebidos. Através do corpo interagimos com o mundo que nos cerca. Podemos dizer que a identidade humana é inseparável de seu substrato somático. O modo como as pessoas existem nesse substrato acaba por determinar sua forma de existir no mundo.
A imagem corporal segundo SCHILDER (1935) consiste na representação da forma, do tamanho e da aparência do nosso corpo produzida em nossa mente. A imagem corporal é, portanto, um dos componentes importantes para a formação da identidade pessoal.
Entre as diversas maneiras que o indivíduo possui para pensar a respeito de si mesmo, nenhuma é tão essencialmente imediata e central como a imagem de seu próprio corpo. Fatores históricos e atuais levam os indivíduos a se relacionar com seu corpo de modo satisfatoriamente positivo ou não.
Os fatores históricos são as circunstâncias do passado que moldam a forma de cada um enxergar a própria aparência. Os fatores atuais são as experiências de vida cotidiana que determinam como as pessoas pensam, sentem e reagem à sua aparência.
Certas crenças básicas ou assunções sobre o significado da aparência na vida são aprendidas, quer através de insultos traumáticos, mensagens familiares ou socialização cultural.
Padrões culturais de beleza, muitas vezes impostos pela sociedade são fatores importantes na formação da imagem corporal e no modo como o indivíduo se relaciona consigo. O ser humano é pressionado, a se adequar ao corpo ideal de sua cultura. Muitas sãoas formas de arquitetar a beleza, e a maioria delas pode estar associada a grandes riscos como as dietas restritivas, a prática excessiva de atividades físicas, o uso de anabolizantes e as cirurgias estéticas.
A influência dos padrões de corpo, divulgados pela mídia na atualidade, sobre a Imagem Corporal tem grande relevância no que tange à adoção de comportamentos de risco e à etiologia dos transtornos alimentares. O surgimento de novas exigências traz consigo novas demandas, tornando cada objetivo transitório e deixando cada vez mais distante a satisfação em relação ao corpo.
Todos os dias somos bombardeados com imagens de modelos com corpos bonitos, e ter um “corpo perfeito” transformou-se num fator de aceitação social, e por conseqüência numa necessidade. Mais cedo ou mais tarde, surge uma comparação entre o que somos e o que gostaríamos de ser. As conclusões obtidas podem levar a uma imagem corporal negativa resultando numa baixa auto-estima.
Tavares (2003), afirma que a identidade corporal é sempre um processo em construção, e que as primeiras experiências infantis são fundamentais no desenvolvimento da imagem corporal (2003). Assim, as imagens corporais são dinâmicas e mutáveis em razão de representar o corpo um objeto em constante modificação
A partir da segunda metade do século XX, o culto ao corpo ganhou dimensão social inédita: entrou na era das massas. A mídia adquiriu imenso poder de influência sobre os indivíduos, generalizou a paixão pela moda, expandiu o consumo de produtos de beleza, anunciou transformações nos corpos de pessoas famosas – por meio da cirurgia plástica – e tornou a aparência uma dimensão essencial da identidade para um maior número de mulheres e homens (CASTILHO, 2001).
Parece-nos relevante sugerir que a felicidade tão almejada pela sociedade ocidental, passa, substancialmente, pela condição corporal das pessoas. Um corpo físico bonito, jovem e atraente virou um requisito de sobrevivência, uma espécie de obrigação a ser cumprida com direito à culpabilização. A clássica frase que representa bem esse fato é: “Só é gordo e feio quem quer, quem não se cuida ou é desleixado”.
Tiggemann (2002) destaca, ainda, o papel do processo através do qual a mídia oferece instruções explícitas sobre como atingir o ideal de beleza, destacando que estas informações promovem a crença de que as pessoas podem, e de fato devem, controlar sua forma e peso corporais.
Desse modo, a expectativa de corpo difundida na sociedade contemporânea acaba por influenciar a imagem do corpo, podendo se associar a transtornos mentais e do comportamento, bem como a atitudes prejudiciais à saúde.

Profa Dra Edna Paciência Vietta

Psicóloga Ribeirão Preto

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ADVERSIDADE E RESILIÊNCIA

ADVERSIDADE E RESILIÊNCIA

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Adversidade e Resiliência

Desde o final do século XIX, no âmbito das ciências humanas a tendência foi dar ênfase aos estados patológicos. Por isso, as investigações se concentraram na descrição exaustiva das doenças, na intenção de descobrir causas ou fatores que pudessem explicar as condições negativas ou não desejadas, tanto na esfera biológica como mental. Apesar dos esforços, muitas questões ficaram sem resposta. No final do século XX, a ênfase na Psiquiatria e na Psicologia passou a focalizar aspectos positivos da manutenção da saúde mental e sua prevenção.

Vários conceitos teóricos sobre recursos internos e externos para promover e preservar a saúde física e mental surgiram nas décadas de 70 e 80, fundamentados numa variedade de disciplinas: na Psicologia, na Biologia, na Sociologia, na Psiquiatria, na Educação, norteando e direcionando a promoção da saúde, entre eles, o de resiliência. O termo surgiu como uma combinação de fatores que permite ao ser humano enfrentar e superar problemas e adversidade da vida. (Suarez Ojeda, 1993).

Resiliência é um termo que a psicologia, tomou emprestado da Física para explicar a capacidade do ser humano em lidar com problemas e adversidades da vida de modo a superá-los, retomando gradativa e normalmente à sua condição anterior, após o enfrentamento de tais situações.

Metaforicamente podemos dizer que Resiliente é o indivíduo que submetido a traumas, estressores ou situações adversas se recupera psicologicamente e não se torna vítima da situação enfrentada.

Ao mesmo tempo, a aplicação do enfoque de risco amplamente difundido nos programas de saúde mental mostrou a existência de numerosos casos que se desenvolveram de forma normal, apesar das contingências desfavoráveis, eventos e fatores que em outros indivíduos foram causas de desequilíbrios emocionais ou de transtornos psicológicos ou mentais severos. O enfoque direcionou-se, então, para os fatores protetores que preservam a integridade psicológica e mental dessas pessoas.

Até os anos 90, os estudiosos defendiam que a habilidade para administrar conflitos era inata, como um dom. A partir daí, comprovaram que o homem pode, sim, desenvolver a capacidade de se recuperar e de crescer em meio a sucessivos problemas.

Sem dúvida que traços de personalidade são de grande relevância para a aquisição de comportamentos relisientes, mas um ambiente facilitador que gere pessoas confiantes e bem resolvidas é fator importante.

Acredita-se, portanto, que é na infância que se adquire tal condição, porém é possível desenvolvê-la também na vida adulta.

Ao se analisar o termo no âmbito da psicologia inclui-se também a capacidade de as pessoas, pessoalmente ou em grupo, resistirem às pressões sociais sem perder o equilíbrio emocional. Considerando o mundo em processo constante de mudanças, condição que exige constantes adaptações, sem tempo suficiente para se refletir sobre as posições a serem tomadas, diante das novas exigências e cobranças impostas, o tema se torna interessante e oportuno.

Neste contexto, pessoas resilientes estabelecem metas bem definidas – não são dados a grandes devaneios, como: enriquecer rapidamente e sem esforço, ficar famoso do dia para noite… São pessoas flexíveis, sensíveis, que possuem adequadas habilidades sociais, boa capacidade para se comunicar e, nas dificuldades faz uso do humor.

Pessoas resilientes apresentam competência para resolver problemas, pensam de forma crítica, procurando soluções adequadas para suas necessidades, e quando não encontram saídas, não se recusam a buscar ou aceitar ajuda. Possuem forte senso de identidade, grau elevado de autonomia e auto-estima. Demonstram independência e autocontrole. Quando as experiências são muito negativas, mantém-se a certa distância procurando formas alternativas de adaptação. Têm propósito e confiança no futuro: aspirações elevadas, mas, realístas, persistência e determinação. Acreditam que nas dificuldades, também, possam residir oportunidades de crescimento. Nutrem-se das pequenas vitórias, identificando e trabalhando recursos internos de forma saudável. Pessoas resiliente não se abatem facilmente, não culpam os outros pelos seus fracassos, agem com ética e dispõem de energia para o trabalho.

Como você resolve seus conflitos? Como você administra suas crises? Como encara suas perdas? Você se considera uma pessoa resiliente? Faça você mesmo essa avaliação.

Profa. Dra Edna Paciência Vietta

Psicóloga Clínica

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O EQUILÍBRIO ESTÁ NO MEIO TERMO

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“A principal coisa na vida é não ter medo de ser humano” ( Pablo Casals)

O psiquiatra argentino Hugo Marietán define a pessoa perfeccionista como aquela que se esforça para melhorar o êxito de seu objetivo seguindo um padrão ideal. São pessoas que tendem dar importância exagerada a tudo e nunca se sentem satisfeitas. Ocupam-se mais do que necessário em pequenas tarefas e tendem a ficar com a sensação de que poderiam ter feito ainda melhor.

Se você for um perfeccionista, é provável que você tenha aprendido cedo na vida que as pessoas sempre a avaliariam pelo quanto você realizaria ou conseguisse. Em conseqüência disso, você pode ter aprendido a avaliar-se somente na base da aprovação das outras pessoas. Assim sua auto-estima pode estar sendo baseada primeiramente em padrões externos. Isto pode deixá-la vulnerável e excessivamente sensível às opiniões e as criticas dos outros. Na tentativa de proteger-se de tal criticismo, você pode decidir que ser perfeito é sua única defesa

O perfeccionismo ao qual nos referimos é aquele que nos desgasta, levando-nos a uma série de problemas em nível pessoal, conjugal, social, profissional, etc. está relacionado a arrogância e ao medo de errar, ou seja, para o perfeccionista tudo deve ser perfeito, ele não admite erro, mudanças. Geralmente, defende sua posição analisando somente a dicotomia perfeição-displicência. É 8 ou 80. Sim ou não. Para o perfeccionista não tem meio termo. É tudo ou nada. Não raro, está mais preocupado em manter as aparências, em se mostrar superior. Nesta conotação o perfeccionista jamais admitirá que sua verdadeira preocupação seja com a opinião alheia, há um medo de que suas falhas sejam expostas, de que descubram que ele é tão normal quanto qualquer ser humano. O ideal é encontrar um equilíbrio.

Segundo Gordon L. Flett, professor de psicologia da York University e autor de diversos estudos a esse respeito, “É natural que as pessoas queiram ser perfeitas em algumas coisas, por exemplo, no trabalho. Para ser um bom editor ou cirurgião é importante não cometer erros”, “Mas você começa a enxergar problemas reais quando isso se generaliza para outras áreas da vida, ou seja, a vida familiar, a aparência, os hobbies.”

O perfeccionista espera que todos ao redor sejam perfeitos e se incomoda quando não consegue aplicar aos outros suas regras de disciplina. À primeira vista o perfeccionismo parece ser algo positivo, pois ele pode ser usado como uma força propulsora para o bem. As pessoas de seu convívio, muitas vezes, não conhecem suas expectativas, o que gera tensão com familiares, amigos e colegas, além de um grande sentimento de raiva.

Em geral, o perfeccionista é detalhista, meticuloso e caprichoso em suas ações.

A sociedade normalmente valoriza alguns traços comuns ao perfeccionista, como, por exemplo, a responsabilidade, a pontualidade, o esmero e assim por diante. No passado, o perfeccionismo era até visto como um aspecto positivo e acreditava-se que ele contribuiria para o sucesso profissional das pessoas. Contudo, o problema do perfeccionismo vem à tona quando o seu possuidor não atinge o alvo proposto para si mesmo. Além do mais, a busca do resultado perfeito pode interferir negativamente nas realizações profissionais do perfeccionista, pois se gasta tanto tempo em revisões que a produtividade fica comprometida.

O universo pessoal do perfeccionista pode ser tomado por frustrações contínuas, o que o conduz a um estado de tristeza, culpa e até mesmo autodesprezo.

Há dois tipos de perfeccionistas. O primeiro é o introspectivo, ou seja, aquele que apresenta pouca auto-estima e confiança própria e para quem qualquer erro equivale à desaprovação dos outros. O segundo é o extrospectivo, ou seja, aquele que não apresenta baixa auto-estima, porém, não confia nas habilidades ou capacidades dos outros ao seu redor. Logo, este segundo tipo não consegue delegar e exige sistematicamente das outras pessoas a perfeição que requer de si mesmo.

A busca da perfeição é diferente de ser perfeccionista. Estar sempre buscando melhorar é muito bom, mas admitir que somos imperfeitos é sermos humildade, é saber que podemos erra

O Sábio Rei Salomão disse “não sejais demasiadamente sábio; porque te destruirias a ti mesmo?” Ecl7:16.

Em psicologia a verdade, ou, o equilíbrio está no meio termo.

Profa Dra Edna Paciência Vietta

Psicóloga Ribeirão Preto

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FREUD E A INTERPRETAÇÃO DOS SONHOS

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De acordo com alguns estudos realizados pela Ciência, o ser humano sonha ao menos duas horas por noite. Assim, se 1/3 da vida passamos dormindo, aproximadamente 25% desses momentos são preenchidos pelas experiências oníricas.

Biologicamente, afirma-se hoje que o sonho é tão vital para a existência quanto respirar e dormir.

Os sonhos sempre exerceram fascínio na humanidade desde a antiguidade, inclusive entre os egípcios e, particularmente, entre os judeus do Antigo Testamento. Em Gênesis, o patriarca José mostra a importância da decifração dos sonhos, no contexto bíblico. “As sete vacas gordas seguidas pelas sete vacas magras que devoraram as gordas — tudo isso era o substituto simbólico para uma profecia de sete anos de fome nas terras do Egito, que deveriam consumir tudo o que fosse produzido nos sete anos de abundância”

Em várias culturas os sonhos eram vistos como forma de comunicar-se com o sobrenatural e, uma maneira de prever o futuro.

Num papiro egípcio datado de 2000 AC já se discutiam sonhos e suas interpretações. Era crença na Grécia Antiga de que o sonhador estava em contato com os deuses.

No capítulo I, da obra “A Interpretação dos Sonhos”, Freud afirma que na visão pré-científica dos sonhos adotada pelos povos da Antigüidade certamente em completa harmonia com sua visão do universo em geral, se aceitava como axiomático que os sonhos estavam relacionados com o mundo dos seres sobrenaturais e suas crenças, e constituíam revelações de deuses e demônios. Não havia dúvida que, para aquele que sonhava, os sonhos tinham uma finalidade importante, que, via de regra, era predizer o futuro.

Com a publicação de Die Treumdeutung (A Interpretação dos Sonhos) em 1900, Freud afasta, de vez, essa temática, das crenças religiosas do período anterior à Modernidade, as quais vinculavam o sonho a uma experiência premonitória e supersticiosa. Ainda que não tenha satisfeito plenamente a Freud, no que concerne a sua forma e seu estilo, elaborada que foi nos primórdios da Psicanálise, na verdade esta obra situa-se como o “opus magnum” de seu gênio criador, tendo já conquistado um lugar definitivo entre os clássicos da literatura científica de todos os tempos Freud viveu num período em que imperou o positivismo, uma corrente de pensamento ou escola que afirma que o único conhecimento autêntico é o conhecimento científico e que, portanto, só pode surgir com afirmação de teorias e através do método científico. Sua experiência empírica sobre a hipótese da equivalência entre a maneira como são formados os sintomas e os sonhos e ainda que a chave para a decifração de uma neurose é a interpretação dos sonhos, baseada apenas em suas observações clínica não bastava para convencer a comunidade científica da época. Toda e qualquer atividade filosófica e científica deveria efetuar-se unicamente pela análise de fatos reais, concretos, palpáveis, mensuráveis, verificáveis pela experiência. Portanto, esta obra, marca, não apenas a passagem de um modelo que investiga as manifestações psicopatológicas, mas, também, o construto capaz de dar conta da estrutura do psiquismo em geral. Nesta obra Freud construiu o pilar da teoria psicanalítica, passando a constituir o ponto de apoio para todo o desenvolvimento posterior da sua teoria.

Assim Sigmund Freud deu um caráter científico ao assunto. Freud “afirmou que os sonhos realmente têm sentido, e que é possível ter-se um método científico para interpretá-los”. A partir desta obra Freud passou a ser mais respeitado por seus contemporâneos. Segundo Freud (1915), sonhos são fenômenos psíquicos onde realizamos desejos inconscientes.

A elaboração de um sonho, segundo Freud (1915), ocorre porque “existe algo que não quer conferir paz à nossa mente.

Um sonho, pois, é a forma como a mente reage aos estímulos que a atingem no estado de sono”. Alguns dos estímulos dos quais, podem ser restos diurnos, sensações fisiológicas, pensamentos ocultos, inconscientes, formados por desejos antigos, recalcados pela censura do Superego.

Freud conclui que função do sonho é a de realização disfarçada dos desejos recalcados. Tamanho é o disfarce nos sonhos que a realização dos desejos nos aparece às vezes sob a forma de pesadelos. Tais distorções devem-se ao trabalho da censura interna que funciona mesmo durante o sono.

Profa. Dra. Edna Paciência Vietta

Psicóloga Clínica

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Psicologia Positiva

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A psicologia Positiva é um movimento recente dentro da Psicologia que visa fazer com que os psicólogos contemporâneos adotem “uma visão mais aberta e apreciativa dos potenciais, das motivações e capacidades humanas”.

Surge em 1998, com Martin Seligman que veio alertar e demonstrar, através da investigação científica, que é fundamental estudar e conhecer as forças e virtudes humanas e o que contribui para as pessoas se sentirem felizes.

Permanecer sofrendo com os fatos passados, remoê-los dias após dias, ou procurar superá-los e encontrar possíveis soluções, motivação para o crescimento e alternativas para enfrentá-los? Para a Psicologia Positiva, desenvolvida pelo psicólogo americano Martin Seligman, apenas a segunda questão faz sentido.

Ao contrário da psicologia convencional, que se foca no estudo e tratamento de distúrbios como a depressão e ansiedade, o novo campo da psicologia positiva se propõe a focar mais nas forças que nas fraquezas. Busca promover mais as qualidades do viver do que reparar no que vai mal.

A Psicologia científica, por muitos anos, foi focada desproporcionalmente na patologia e na reparação do dano. Segundo esse autor, se faz necessário também a atenção aos aspectos sadios do desenvolvimento humano.

Essa abordagem focaliza a necessidade de avanços nos estudos relacionados aos fatores protetores, preventivos e de manutenção do desenvolvimento humano saudável. Tem importante papel na compreensão dos aspectos envolvidos no enfrentamento da doença, bem como, na manutenção da saúde, apontando a relevância do investimento científico na investigação dos fatores de proteção da saúde.

A Psicologia Positiva focaliza variáveis positivas, como, o otimismo, a espiritualidade, a criatividade, a imagem corporal associados ao bem-estar e à qualidade de vida de pessoas doentes e não-doentes e de seus cuidadores. (SILVA, 2006).

Para Paludo e Koller (2007), essa nova proposta científica objetiva melhorar a qualidade de vida das pessoas e ajudar a prevenir patologias. Assim, a Psicologia Positiva pretende contribuir para o florescimento do funcionamento saudável das pessoas, grupos e instituições, preocupando-se em fortalecer competências ao invés de apenas corrigir deficiências.

A Psicologia Positiva não negligência os aspectos da Psicologia convencional, ao contrário, o seu objetivo não é negar o que é deficitário, o que produz sintomas e reações negativas, o que vai mal, o que está doente, ou o que é desagradável na vida. A Psicologia Positiva reconhece a existência do sofrimento humano, situações de risco e patologias.

A Psicologia Positiva não trabalha sobre os problemas das pessoas e como remediá-los, ela busca compreender a ciência e a anatomia do bem-estar, da felicidade, das experiências positivas, do otimismo e do altruísmo, ela aponta para uma visão de que a saúde psicológica é muito mais do que a ausência de sintomas.

Considera-se assim que, ao percebermos o funcionamento ótimo de um indivíduo, as suas forças, qualidades, talentos e virtudes, mais facilmente poderemos ajudar a superar obstáculos e a lidar com as adversidades inerentes à vida. Desta forma, a Psicologia Positiva considera que todo e qualquer ser humano, grupo ou instituição, tem recursos para florescer e viver de um modo mais gratificante.

Antes de o psicólogo propor está nova vertente da psicologia moderna, o paciente passava anos em processo terapêutico focado apenas nas experiências negativas de sua existência. Assim, ao invés de buscar a cura efetiva, ele continuava imerso em suas dores. O que Martim Seligman fez, foi apresentar aos pacientes os aspectos positivos de suas vivências e uma visão mais ampliada, de um mesmo evento.

Nesta abordagem, a Psicoterapia visa fortalecer os aspectos saudáveis e positivos dos indivíduos, (re)construir as virtudes e forças pessoais, ajudar os clientes a encontrarem recursos até então inexplorados e aumentar suas forças pessoais já existentes. Assim, modificar somente o que está ruim ou errado é apenas uma parte do trabalho da psicoterapia, sendo preciso, também, (re)construir e fortalecer o que está bom. A orientação positiva da terapia reconhece que os traços positivos e os comportamentos adaptativos servem como fatores protetores contra os estressores e as dificuldades futuras. Dessa forma, ao tomar conhecimento dos aspectos positivos, as pessoas possuem melhor capacidade para lidar com eventos difíceis, tornando-se, assim, agentes ativos na superação da vulnerabilidade e do risco

Profa. Dra Edna Paciência Vietta

Psicóloga Ribeirão Preto

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Locus de controle: entre sucessos e fracassos

Locus de controle: entre sucessos e fracassos Psicóloga Ribeirão Preto

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Em Psicologia, a maior parte das pesquisas concentra-se no estudo do sofrimento e das doenças mentais investigando, por exemplo, a depressão, a angústia, a ansiedade e a solidão. Apesar da maioria das pesquisas em psicologia se voltarem para a investigação desses fatores, a Psicologia Positiva vem ganhando espaço nas últimas décadas investindo no estudo do bem-estar subjetivo (BES). Um desses fatores é o “Locus de controle”. Esse constructo vem sendo muito valorizado nas pesquisas da Psicologia Social e, em especial, em estudos que enfatizam a influência de fatores psicossociais no bem-estar subjetivo e na qualidade de vida (PEREIRA, 1997).

Por se concentrar no estudo dos aspectos positivos e sadios do indivíduo, a Psicologia Positiva permite ampliar o alcance da Psicologia, reconhecendo mecanismos envolvidos na manutenção de uma melhor qualidade de vida.

Locus significa lugar em latim. Em psicologia se diz que uma pessoa tem o “Locus de controle” predominantemente interno se ele acredita que pode ter controle sob os eventos de sua própria vida, e de obter sucesso, exigindo mais de si mesmo e se concentrando no que pode fazer por conta própria para lidar com seus problemas atuais. Locus pode ser usado em diversos sentidos e para várias áreas, na psicologia, na genética, na matemática, na fonética e etc.

O constructo “Locus de controle” é uma variável que busca explicar a percepção que a pessoa tem sobre a fonte de seu controle sobre os acontecimentos em que está envolvida. Deste modo, um indivíduo pode perceber-se como controlador dos acontecimentos ou controlado por fatores externos a ele (estes fatores poderiam ser outras pessoas, entidades ou mesmo o destino, o acaso e a sorte).

O “Locus de controle” varia, ao longo de um continuum tendo em um extremo a percepção do controle interno ou internalidade e no outro o controle externo ou externalidade (Della Coleta, 1985). Interno, quando o indivíduo percebe os resultados dos acontecimentos como conseqüência de suas próprias ações e externo, quando percebe esses mesmos acontecimentos como conseqüência de fatores externos.

“Locus de Controle” é um conceito introduzido pelo psicólogo norte-americano Julian Rotter, em 1966, no contexto de seu artigo “Psychological Monographs”, no qual elucida como a percepção das pessoas afeta seus sucessos e fracassos na vida.

Pesquisas demonstram que as pessoas com predomínio de “Lócus de controle interno” tendem a ser física e mentalmente mais saudáveis. Em geral, sua pressão sanguínea é mais baixa, apresentam menos infartos, ansiedade, depressão e são mais hábeis ao lidarem com o estresse. Obtêm as melhores notas na escola e acreditam ter maior liberdade de escolha. São mais populares e sociáveis e apresentam elevado grau de autoestima. O sujeito com baixo controle interno pode desenvolver um humor deprimido por achar que não tem controle sob acontecimentos, tanto positivos quanto negativos de sua vida e, conseqüentemente, nenhuma responsabilidade sob o que lhe acontece e se considerar incapaz de interferir e modificar aspectos negativos da mesma.

Rotter sugere que o “Lócus de controle” é adquirido na infância por meio do comportamento dos pais e dos responsáveis pela criação. Pais de adultos com “Locus de controle” interno tendem a ser solidários, generosos ao elogiarem os filhos em suas realizações (reforço positivo), apresentam coerência na disciplina e postura não autoritária.

Para Wenzel (1993), “Locus de controle” refere-se ao modo como uma pessoa percebe a relação entre seus esforços e o resultado de um evento. Caso esta relação esteja clara para o indivíduo, diz-se que ele é internamente orientado, ao contrário, quando a relação não é clara, a pessoa passa a responsabilizar outros fatores pelo sucesso ou fracasso de determinada ação. Nesse caso, diz-se que ela é externamente orientada.

Ninguém conserva o Locus interno ou externo o tempo todo. A questão é perceber-se nos momentos-chave.

Você procura perceber sua participação nos eventos de sua vida? ou está sempre culpando os outros pelo que lhe acontece?

Não é saudável nos responsabilizarmos por tudo o que nos acontece. É lógico que existem influências externas, adversidades, barreiras a serem superadas, porém é importante estarmos atentos para as condições em que os fatos acontecem e, sobretudo, observarmos como está sendo nossa participação nos mesmos.

Profa. Dra. Edna Paciência Vietta

Psicóloga Clínica

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